COMPASSO
ESPECIAL CARIRI

Um radar sobre o Brasil que cria e inova.

UM PAU DA BANDEIRA SOBRE O RIO SÃO FRANCISCO

Cinco dias no sul do Ceará entre uma festa que reúne 500 mil visitantes, uma casa de duzentos anos, xilógrafos exportando para Paris desde 1965, um pau de bandeira passando por cima da transposição do São Francisco e um hub de inovação maker que poucos ainda viram chegar.

Foto: @FabioSeixas. Pau da Bandeira e o canal da Transposição do São Francisco, Barbalha, maio 2026.

No fim do dia 31 de maio, em Barbalha, sul do Ceará, uma multidão caminhou seis quilômetros atrás de um pau de cerca de trinta metros, erguido nos ombros e depois fincado em frente à Igreja Matriz. É a 98ª Festa de Santo Antônio. O IPHAN inscreveu o pau da bandeira no Livro das Celebrações em 2015, e a brincadeira documentada começou em 1928. A festa inteira, ao longo de treze dias, reúne aproximadamente 500 mil visitantes e movimenta cerca de R$ 22,5 milhões, segundo estimativa da prefeitura, numa cidade de oitenta mil habitantes.

E tem um detalhe que não cabe no folheto turístico, porque folheto turístico, por natureza, gosta de fingir que o Brasil é mais simples do que é. Pelo caminho da procissão, o pau passa por cima do canal do Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco. Cento e poucos anos depois de D. Pedro II ordenar a construção do primeiro açude do Brasil em Quixadá, ali do lado, três governos federais e cerca de 477 quilômetros de canal depois, o São Francisco chega ao Cariri por dentro de um cano.

A imagem é boa demais para ser só imagem. Resume o lugar inteiro. O Cariri inventa por cima, por baixo, de lado, por dentro da festa, por dentro da pedra, por dentro do couro, por dentro da universidade. E faz isso há mais de um século, sem pedir licença ao centro, que muitas vezes nem sabe onde fica a borda.

O PATH FOI A CAMPO

Estivemos no Cariri entre 30 de maio e 2 de junho de 2026. Não em viagem turística. Em viagem editorial. O Path olha para inovação e criatividade brasileiras com diversidade, e treze edições do Festival Path foram construídas exatamente nessa latitude curatorial. A pergunta que levamos era simples: o que está acontecendo de relevante neste pedaço do sertão cearense que o eixo Rio-São Paulo ainda chama de cenário?

A resposta voltou em camadas. E vale tomar fôlego, porque o Cariri não entrega resposta curta. O Cariri responde com banda, fóssil, reza, madeira, cinema, couro, cordel, laboratório maker, museu, universidade, água transposta, energia limpa e um tanto de gente que parece ter saído de uma página de romance brasileiro, dessas em que a personagem entra pequena e, quando a gente percebe, já tomou conta da sala.

Foto: @FabioSeixas.
Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo, Crato.

QUEM NUNCA PAROU DE INVENTAR

Foto: @FabioSeixas. Casa dos Irmãos Aniceto, no Crato, com Mestre Zé do Pife.

Numa noite, fomos à casa dos Irmãos Aniceto, no Crato. A Banda Cabaçal foi fundada em 1815 por José Lourenço da Silva, descendente do povo Kariri, e três filhos herdaram o apelido Aniceto. A banda já tocou com Hermeto Pascoal. Em 2019, o Sesc Ceará inaugurou no quintal da família o Museu Casa do Mestre Raimundo Aniceto, primeiro museu orgânico do Crato. Recepção de quem mora há dois séculos no mesmo endereço: mesa, prato, conversa, instrumento.

Hóspede da noite, Zé do Pife. Francisco Gonçalo da Silva, pernambucano de São José do Egito, 81 anos, construiu o primeiro pífano aos sete com a haste de um jerimum. Lecionou na UnB e gravou com a banda Mestre Zé do Pife e as Juvelinas (2007). É um dos pifeiros mais documentados do Brasil. Quando ele toca, o ar obedece.

A casa dos Aniceto é também a casa do Reisado. No folguedo cearense, o Mateus é a segunda figura mais importante depois do mestre. Palhaço de chapéu cônico e rosto pintado de preto com fuligem de panela, ele carrega o legado africano e é a peça cômica que nem o mestre controla. Anda com a Catirina, o boi, o Jaraguá e a burra. No Cariri, o universo do Reisado é tão presente que o cratense Mestre Aldenir, 92 anos, conduz o grupo Reis do Congo há setenta anos. Tesouro Vivo da Cultura do Ceará desde 2004.

Espaço para encontros e produção da Lira Nordestina

Dez minutos adiante, em Juazeiro do Norte, fica a Lira Nordestina. Começou como Tipografia São Francisco em 1932, fundada pelo alagoano José Bernardo da Silva, peregrino que chegou de pé pedindo bênção a Padre Cícero. Em 1988 passou à URCA. Hoje segue imprimindo cordel manualmente, em xilogravura, sob coordenação artística de José Lourenço Gonzaga, neto de tipógrafo da casa e xilógrafo desde os oito anos. Descendentes da casa fundadora ainda tocam a oficina e atendem escola, pesquisador e colecionador. Em setembro de 2018, o IPHAN reconheceu o cordel como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O que se lia na praça de Juazeiro virou patrimônio do país.

Obras do artesão Marquinhos no Centro de Cultura Popular Mestre Noza

Quatro quarteirões adiante, no Centro de Cultura Popular Mestre Noza, a história tem outra escala. Fundado em 1983, mesmo ano da morte do santeiro Mestre Noza (Inocêncio Medeiros da Costa, 1897-1983), funciona como cooperativa da Associação dos Artesãos do Padre Cícero. No dia em que o Path passou por lá, havia dezenas de artesãos produzindo arte. O forte é a madeira, no rastro do próprio Noza, que começou esculpindo santinhos para romeiros e migrou para a xilografia já adulto. A Via Sacra de Mestre Noza foi publicada em Paris em 1965 pela editora Robert Morel, com apresentação assinada por outro filho do Cariri.

A meia hora dali, em Nova Olinda, mora o homem que transformou o couro do sertão em peça de coleção. Espedito Seleiro, 86 anos, é Espedito Veloso de Carvalho, nascido em 1939 em Arneiroz, no Sertão dos Inhamuns, e em Nova Olinda desde 1950. Filho de vaqueiro, aprendeu o ofício aos oito com o pai. Quinta geração de seleiros. Sela, gibão, sandália de Lampião e Maria Bonita, bota, chapéu, bolsa, banco, tudo cortado e costurado à mão. É Tesouro Vivo da Cultura do Ceará desde 2008, Ordem do Mérito Cultural pelo MinC desde 2011 e Notório Saber pela UECE desde 2017. Em dezembro de 2014, o Memorial Espedito Seleiro foi inaugurado em Nova Olinda dentro do projeto Ecomuseus do Cariri Cearense, da Fundação Casa Grande. O couro do cangaço de Espedito virou matéria-prima de duas coleções de Ronaldo Fraga: Carne Seca (2013) e Terra de Gigantes, que abriu a 51ª SPFW em 2021.

Se a comparação parece grande, é porque tendemos a achar pequeno o que nasce longe da avenida principal. Paris, 1837: Thierry Hermès, alemão, abre um ateliê de selaria e arreios perto da Madeleine. Costura à mão, ofício passado de pai para filho. Ganha medalha na Exposição Universal de 1867. Quase duzentos anos depois, a Hermès está na sexta geração da família, é a maior marca de luxo em couro do mundo e ainda assina o ponto sellier como diferencial. Espedito está na quinta. O ofício é primo, a costura à mão é da mesma família de raiz, a tradição que vira valor é a mesma. O que separa o Cariri da Hermès não é técnica. É sistema de distribuição, narrativa global e captura de valor. Em palavras do Path, é o terceiro lastro. E quando alguém montar ele no Cariri em escala industrial sustentável, dá Hermès tropical com sotaque cearense, ninguém mais discute.

Em São Paulo, em 2021, Ronaldo Fraga abriu a 51ª SPFW digital com a coleção Terra de Gigantes, inspirada nos Museus Orgânicos do Cariri (Sesc Ceará e Fundação Casa Grande, em Nova Olinda). Linho 100%, bordados, miscigenação: indígena Kariri, mouro africano, judeu sefardita, escravo, padre, romeiro, gibão de Espedito Seleiro, pássaro do sertão. Tudo no mesmo tecido. Quem ainda acha que o Brasil profundo é exótico não andou por lá. Ou andou, mas com lente emprestada.

capa do projeto Eh do Cariri - fonte youtube

E aí entra o feed. O cratense Max Petterson, ator e criador, milhão de seguidores no Instagram, criou e roda o Eh do Cariri. No fim de maio recebeu Zeca Camargo na segunda edição, com expedição entre cidades, mestres da cultura, governadores, romeiros, designers e influenciadores. Junta, filma, edita, distribui. É o festival cultural com vocabulário de feed que o sertão estava precisando. Não para modernizar o sertão. O sertão já é moderno. Para fazer o algoritmo perceber.

QUEM AUDITA O CARIRI NÃO VEM SÓ DE FORA

Tem a parte do Cariri que se mede sozinho.

Em setembro de 2006, na 2ª Conferência da UNESCO sobre Geoparques, em Belfast, o Geoparque Araripe foi reconhecido como o primeiro Geoparque das Américas. Em 2015 ganhou o selo de UNESCO Global Geopark. Cobre 3.789 km² em seis municípios cariris e protege fósseis de até 150 milhões de anos. O território rende tese de doutorado a vida inteira. E ainda sobra pedra para o poeta encostar.

Foto: @FabioSeixas. Brincantes fantasiados de Mateus em frente à Igreja Matriz de Barbalha.

Em 4 de novembro de 1977, uma cearense de família que fugiu da seca quando ela ainda era criança tomou posse da cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras. Rachel de Queiroz, primeira mulher imortal, oito décadas depois da fundação da casa, autora de O Quinze aos 19 anos. Sessenta quilômetros adiante, em Quixadá, os monolitos da Pedra do Castelo recebem equipe de filmagem desde A Morte Comanda o Cangaço (1960). O Quinze virou filme em 2004 ali. Cine Holliúdy (2012), também. O Cangaceiro do Futuro, da Netflix, em 2022, também. Os monolitos não foram catálogo de Hollywood. Foram catálogo brasileiro inteiro.

Em 1º de abril de 2022, o Crato ganhou o maior equipamento cultural do estado do Ceará, o Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo. Mais de 50 mil metros quadrados, programação permanente e gratuita. Em 7 de maio de 2026, a casa abriu a maior exposição da sua história. Cariri: corpo, terra e cultura, curadoria de Bitu Cassundé, reúne mais de 170 artistas e cerca de 2.300 obras em três núcleos. Resultado de quatro anos de pesquisa nos 29 municípios da região. Apoio do Instituto Moreira Salles, da Pinacoteca do Ceará e do Museu da Imagem e do Som do Ceará. Fica em cartaz por um ano. Os curadores tratam, com todas as letras, do "pau da bandeira" como coreografia coletiva. O Cariri não só faz a festa. Cataloga a festa, no próprio museu, com a própria curadoria, em quatro anos de trabalho.

Quem audita o Cariri não vem só de fora. O Cariri se audita. E isso muda o jogo, porque território que aprende a medir a si mesmo deixa de depender do carimbo alheio para existir.

E há um detalhe pouco notado: o Cariri já inspira o mundo, em surdina. Patativa do Assaré é estudado em universidade brasileira e estrangeira. E quem trabalha com moda já reparou que a bolsa de palha vendida em maison francesa por euro vermelho, e a sandália de couro lançada pela Prada em coleção, já eram produzidas há décadas pelos artesãos do Cariri. O sertão inventa, o eixo Rio-São Paulo descobre, o mundo aplaude com sotaque francês ou italiano. Falta ao Cariri transformar autoria em sistema, sistema em valor, valor em permanência.

O CARIRI TAMBÉM FAZ TECNOLOGIA

Foto: @FabioSeixas. Açude do Cedro, Quixadá, concluído em 1906.

Aqui a história fica menos óbvia para quem nunca foi. Talvez porque o imaginário nacional ainda tenha dificuldade de aceitar que laboratório maker e reisado possam dividir a mesma frase sem pedir desculpa.

A UFCA, federal, nasceu em 2013 e em treze anos virou polo. Em agosto de 2023 entrou na Rede Estadual de Ambientes de Inovação do Ceará, pelo Programa Corredores Digitais. Em abril de 2026 garantiu, pelo PNAAT do MEC, um laboratório maker avançado, com a maior taxa de inscrições do programa. Opera dentro de casa o InoveUFCA e o Crie, Centro Regional de Inovação e Empreendedorismo, criado em 2017 com a CDL de Juazeiro do Norte e a prefeitura. A FINEP liberou R$ 1,6 milhão para o Centro de Inovação Tecnológica do Cariri (CIT).

Não é teoria. Em 2025, Juazeiro do Norte abriu 5.533 novas empresas (+32,3%) e Crato, 1.815 (+25,4%). O Sebrae cita o Cariri como polo de inovação consolidado, com a primeira lei estadual de inovação aplicada com pé no chão.

A agenda agro também não está parada. Em 10 e 11 de junho de 2026, a Coalizão Agro chega à sua 10ª edição, com lançamento no Banco do Brasil de Juazeiro do Norte e tema Impulsionando o futuro do agro com inovação e conhecimento. O Cariri tem hoje agroindústrias de mel, ovos, peixe, carne e laticínio, com formação técnica via Centec, IFCE e UFCA puxando o setor de baixo para cima.

Água e energia caminham juntas. O Cinturão das Águas do Ceará, conectado ao Eixo Norte da Transposição do São Francisco, sai da barragem de Jati e atravessa o Cariri até as nascentes do Rio Cariús em Nova Olinda, beneficiando cerca de um milhão de pessoas. O Nordeste concentra mais de 90% da energia eólica gerada no Brasil e mais da metade da geração solar distribuída do país. O Ceará lidera o ranking nacional de contratos para hidrogênio verde: em 2026, o Governo do Estado divulgou pré-contrato de R$ 9 bilhões para o terminal do Pecém, com obras previstas para começar ainda neste ano.

O sertão que era sinônimo de escassez no imaginário nacional é hoje, na prática, o lugar onde o Brasil produz a água, a energia limpa, o alimento e o laboratório maker do amanhã. E essa virada não está na manchete porque a manchete ainda escreve sobre o sertão como se fosse 1932. O problema não é o sertão. É a manchete.

ANITTA TEM DOIS LASTROS. O CARIRI TEM TRÊS

Na semana passada, no Compasso #3, o Path propôs uma régua para entender por que um setor brasileiro vira referência global. Precisa de três lastros. Lastro de quem faz: capacidade comprovada e escalável. Lastro de quem mede: dado, certificação, métrica auditável por terceiros. Lastro de quem conta: sistema próprio de narrativa, distribuição e captura de valor. O Pix tem os três. A Embrapa Cerrados tem dois. Anitta tem dois, faz e mede; o catálogo dela passou anos detido por gravadora americana.

O Cariri tem três:

Foto: @FabioSeixas. Tatuagem com a frase de Luiz Gonzaga:
Atenção Srs. protestantes! Barbalha de St. Antônio já se acha evangelizada”.

Quem faz:

  • Banda Cabaçal dos Aniceto há 211 anos.

  • Cooperativa Mestre Noza com mais de cem artesãos cadastrados, sertão da escultura em madeira.

  • Espedito Seleiro em Nova Olinda, quinta geração no couro, com Memorial próprio desde 2014.

  • Lira Nordestina ainda imprimindo cordel manual e xilogravura.

  • Reisado em três cidades, com Mateus de cara pintada e Mestre Aldenir tocando há setenta anos.

  • Cordel reconhecido como patrimônio brasileiro pelo IPHAN.

  • Barbalha e Festa do Pau da bandeira que reúne 500 mil visitantes e movimenta R$ 22,5 milhões em treze dias.

Quem mede:

  • Geoparque UNESCO desde 2006, primeiro das Américas.

  • URCA (1986) e UFCA (2013).

  • Laboratório maker pelo MEC. R$ 1,6 milhão do FINEP para o Centro de Inovação Tecnológica. 5.533 novas empresas em Juazeiro em 2025.

  • Açude Cedro, primeira grande obra hidráulica moderna da América do Sul, segundo o IPHAN. Eixo Norte da Transposição beneficiando um milhão de pessoas no Cariri.

Quem conta:

  • Sérvulo Esmeraldo, pioneiro brasileiro do cinetismo, 22 anos em Paris, com Centro Cultural do tamanho que ganhou o nome dele no Crato.

  • Rachel de Queiroz na ABL em 1977.

  • Centro Cultural do Cariri desde 2022, maior do Ceará, com programação permanente e gratuita. Exposição Cariri: corpo, terra e cultura em cartaz com apoio do Moreira Salles e da Pinacoteca do Ceará.

  • Quixadá como set de cinema brasileiro há 65 anos.

  • Ronaldo Fraga abrindo a SPFW com inspiração no Cariri em 2021.

  • Max Petterson com milhão de seguidores rodando o Eh do Cariri em 2026.

Os três, no mesmo território, em escala documentada, há gerações. É raro no Brasil. E é exatamente o tipo de combinação que o Path foi criado para olhar. Não para descobrir o Cariri, porque o Cariri não estava perdido. Para ajudar o Brasil a se atualizar diante dele.

PARA LEVAR COM VOCÊ

  1. Para ler: O Quinze, de Rachel de Queiroz (1930), e qualquer cordel impresso na Lira Nordestina. Os dois cabem na mesma estante e conversam de igual para igual. Se quiser mais um, Vidas Secas, de Graciliano Ramos (1938), entrega o sertão em treze capítulos.

  2. Para ir: A 98ª Festa do Pau da Bandeira em Barbalha vai até 13 de junho de 2026. A exposição Cariri: corpo, terra e cultura, no Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo, em Crato, fica em cartaz por um ano. A Mostra de Cinema Contemporâneo, no mesmo centro, segue até 30 de julho. O Memorial Espedito Seleiro, em Nova Olinda, cabe na mesma rota do Geoparque Araripe. A ExpoCrato acontece de 11 a 19 de julho no Parque Pedro Felício Cavalcante. E a 10ª Coalizão Agro acontece em 10 e 11 de junho.

  3. Para seguir: @liranordestinaxilogravura e @maxpetterson no Instagram. Um conta a tradição. O outro, a contemporaneidade. Os dois são curadoria. Quer mais: @centroculturaldocaririce


SAI COM ESSA

Patativa do Assaré, em Cante lá que eu canto cá (1978), abre o livro com um mote em quatro versos e segue em sextilhas. A abertura e a primeira sextilha valem por uma tese:

Poeta, cantô da rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.”

“Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá.
Por favô, não mêxa aqui
Que eu também não mexo aí.
Cante lá, que eu canto cá.”

O Path em forma de cordel, escrito em 1978 por um homem que estudou quatro meses na vida. Cada um conta o que tem lastro para contar. O Cariri faz isso há um século. Está na hora do resto do país perceber.

Esta foi a primeira edição especial da Compasso, e ela existe porque o Path se propõe a entregar mais, pegando a estrada e vendo com os próprios olhos.

Ir a campo. Ver. Medir. Divulgar.
É curadoria com prova de presença, gerando demanda para o que vimos, posicionando e criando valor para quem merece chegar mais longe.

O Brasil já está pronto. Falta apenas decidir olhar. O Path olha.
www.somospath.com



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